A partir ou apartir? Aprenda a diferença e use corretamente!
A língua portuguesa é conhecida por suas sutilezas e, para quem estuda para concursos públicos ou para provas como o ENEM, essas nuances costumam aparecer como verdadeiras armadilhas em provas objetivas, discursivas e redações. Um exemplo clássico envolve a dúvida entre “a partir” e “apartir”.
À primeira vista, a diferença pode parecer mínima, quase imperceptível, mas ela é suficiente para transformar uma alternativa correta em errada e custar pontos importantes ao candidato. Por esse motivo, detalhes ortográficos e gramaticais como esse merecem atenção redobrada, especialmente em contextos avaliativos.
Diante desse cenário, compreender qual é a forma correta, por que a outra está errada e em quais situações essa expressão deve ser utilizada é fundamental para quem busca domínio da norma culta. Mais do que memorizar uma regra isolada, é preciso entender a lógica por trás da construção para não cair novamente na mesma pegadinha.
A partir ou apartir, qual dessas formas existe na língua portuguesa?
A resposta é direta e não deixa margem para dúvida, a única forma correta é “a partir”, escrita separadamente. A grafia “apartir”, escrita junta, não existe na língua portuguesa e é considerada erro ortográfico em qualquer contexto formal, devendo ser evitada em redações, provas e textos acadêmicos.
A expressão correta é formada pela combinação de dois elementos distintos, a preposição “a” e o verbo “partir”, empregado com sentido de início ou ponto de partida. Apesar de aparecerem juntos na frase, esses termos mantêm funções gramaticais próprias e, por isso, não devem ser unidos na escrita.
Ademais, quando utilizados da maneira correta, esses elementos dão origem à locução “a partir”, que normalmente vem acompanhada da preposição “de”, formando a locução prepositiva “a partir de”. Essa construção é amplamente usada na língua portuguesa para indicar começo, origem ou base de referência.
Portanto, sempre que surgir a dúvida, é importante lembrar que, se a intenção for expressar a ideia de início, origem ou marco inicial, a forma correta será sempre a partir, escrita de maneira separada e sem crase.
Por que “apartir” está errado?
A forma “apartir”, escrita junta, não é reconhecida pela gramática normativa. Trata-se de um erro que surge, principalmente, pela semelhança sonora entre as palavras na fala cotidiana.
Como na oralidade não há pausa perceptível entre a preposição e o verbo, muitos falantes acabam reproduzindo essa junção também na escrita. No entanto, do ponto de vista gramatical, isso não é aceitável, em provas de concurso, essa diferença costuma aparecer de maneira proposital, com alternativas muito semelhantes entre si. Por isso, reconhecer visualmente a grafia correta é essencial.
O que significa essa expressão?
Do ponto de vista histórico, a origem da expressão está diretamente ligada ao verbo partir, que vem do latim partire e traz consigo o sentido de dividir, separar ou sair de um ponto específico. Com o passar do tempo, no entanto, esse verbo passou a ser empregado também de forma mais abstrata, deixando de indicar apenas deslocamento físico para expressar, igualmente, a ideia de início temporal ou conceitual. Nesse processo passou a ser precedido da preposição “a”, assim, dando origem a locução “a partir” na língua portuguesa.
Com essa evolução, a locução “a partir” passou a ser utilizada para indicar um limite inicial, seja ele temporal, espacial ou conceitual. Em termos práticos, essa construção serve para marcar o ponto a partir do qual algo começa a acontecer, passa a valer ou deve ser considerado dentro de um determinado contexto comunicativo.
E, o uso dessa expressão tornou-se extremamente comum tanto na linguagem cotidiana quanto em textos formais, acadêmicos e jurídicos, além de aparecer com frequência em enunciados de prova. Não é raro, por exemplo, encontrar construções como “O ENEM começará a partir das 13 horas”, “O desconto será válido a partir de amanhã” ou “O conteúdo será estudado a partir da página 48 da apostila”.
Dessa forma, a expressão “a partir” carrega a noção de movimento inicial ou referência inaugural, mesmo quando não há qualquer deslocamento físico envolvido. Em todos esses casos, portanto, o sentido permanece o mesmo, trata-se de estabelecer o momento, o lugar ou a base a partir da qual algo se desenvolve ou passa a ter validade.
Exemplos de uso de “a partir” em diferentes contextos
Na maioria das situações, a expressão aparece na forma completa “a partir de”, que é classificada gramaticalmente como uma locução prepositiva. Esse tipo de construção ocorre quando duas ou mais palavras passam a funcionar juntas como uma única preposição.
No caso de “a partir de”, a sequência formada pela preposição “a”, pelo verbo “partir” e pela preposição “de” deixa de ter sentido literal e passa a indicar noção de início, origem ou base, estabelecendo uma relação entre termos e introduzindo complementos de tempo, espaço ou referência conceitual. A seguir, confira os principais contextos que pode ser utilizada:
Indicação de tempo
O uso mais comum de “a partir de” é para marcar o início de algo no tempo. Esse sentido é muito explorado em provas, especialmente em questões de interpretação de texto. Também pode indicar início em um momento futuro ou em um ponto específico de uma sequência de eventos. Exemplos:
- A partir de amanhã, começarei a me exercitar todos os dias.
- As novas regras valem a partir de 1º de janeiro do ano que vem.
- O restaurante abre a partir das 18h.
- O aluno poderá solicitar revisão a partir do resultado final.
Indicação de ponto de partida espacial
A locução também pode indicar origem ou ponto de partida no espaço, sendo usada para mostrar de onde algo se inicia fisicamente ou qual é o local inicial de um deslocamento. Nesse contexto, a expressão ajuda a situar o leitor quanto ao ponto de início de uma ação, trajeto ou movimento. Exemplos:
- O ônibus sairá a partir da rodoviária central.
- A trilha começa a partir do estacionamento.
- A partir de São Paulo, o trem seguirá viagem sem paradas.
Indicação de base ou fundamentação
Além do sentido de início, “a partir de” pode ser usada para indicar que algo foi feito com base em dados, informações, critérios ou condições previamente estabelecidas. Nesse caso, a expressão pode ser substituída por termos como com base em, segundo ou levando em conta. Exemplos:
- A análise foi realizada a partir dos critérios definidos pela banca.
- O estudo foi desenvolvido a partir de dados estatísticos recentes.
- Ele desenvolveu o projeto a partir das sugestões dos clientes.
Deve usar crase na expressão “A partir”?
Outra dúvida muito frequente está relacionada ao uso da crase, já que muitos candidatos se perguntam se o correto seria escrever “a partir de” ou “à partir de”. A resposta, nesse caso, é: a expressão “a partir de” nunca leva crase, pois não ocorre a fusão de duas vogais idênticas que justifique o uso do acento grave.
A crase ocorre quando há a junção da preposição “a” com o artigo definido feminino “a”, formando o som representado pelo acento grave. No entanto, na expressão “a partir de”, essa combinação não acontece, uma vez que a palavra partir é um verbo e, diante de verbos, não se utiliza artigo feminino. Como não há artigo, não existe contração e, consequentemente, não há crase.
Por esse motivo, a grafia “à partir de” deve ser sempre considerada incorreta em qualquer contexto formal. O uso adequado mantém a preposição sem acento, como nos exemplos “O evento começa a partir das 18h” e “A promoção será válida a partir de amanhã”.
Afinal, quando usar a crase?
Embora “a partir de” não leve crase, existem diversas situações em que o acento grave pode ser obrigatório, facultativo ou até mesmo proibido, a depender do contexto em que a expressão é utilizada. E, compreender essas diferenças é fundamental para evitar generalizações equivocadas e erros frequentes na escrita, especialmente em situações formais e em testes.
Nesse sentido, uma dica prática bastante útil é memorizar a regra principal, segundo a qual nunca se usa crase antes de verbos. Como “partir” é um verbo, essa lógica explica automaticamente por que não existe crase em “a partir de”, o que ajuda o candidato a resolver a questão com mais segurança, mesmo quando surge alguma dúvida no momento do teste.
Por outro lado, há contextos em que o uso da crase é obrigatório. Isso ocorre, por exemplo, diante de palavras femininas que admitem artigo definido, como em “Fui à festa” ou “Cheguei à escola cedo”. Além disso, a crase também aparece em locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas femininas, casos em que o emprego do acento grave já está consagrado pela norma culta, como em “Fez tudo à força” ou “Saiu à medida que o tempo passava”.
Também existem situações em que o uso da crase é facultativo, especialmente antes de pronomes possessivos femininos, nesses casos, o emprego do artigo definido é opcional. Por fim, é importante destacar quando o uso da crase é proibido, além de não ser utilizada antes de verbos, ela também não deve aparecer antes de palavras masculinas, como em “Vou a pé”, nem antes de pronomes pessoais, demonstrativos ou indefinidos, como em “Entreguei o documento a ela” ou “Referi-me a aquele aluno”.
Como evitar erros com “a partir” em provas de concurso?
Para não cair em pegadinhas envolvendo essa expressão, é importante adotar algumas estratégias simples, mas eficazes, durante a leitura de enunciados e alternativas de prova. Em primeiro lugar, vale verificar se a expressão indica ideia de início ou de base para algo, pois, nesses casos, o uso correto será sempre “a partir”. Além disso, uma boa técnica consiste em tentar substituir a expressão por termos equivalentes, como “desde” ou “a começar de”. Se a substituição fizer sentido dentro da frase, isso indica que a forma correta está sendo utilizada.
Outro cuidado fundamental é desconfiar sempre da grafia “apartir” em alternativas de prova, já que as bancas costumam explorar esse erro de forma intencional para testar a atenção do candidato. Por fim, é indispensável recordar a regra básica de que não há crase antes de verbos, o que reforça a certeza de que “a partir” deve ser escrita sem acento grave.
Por fim, a dúvida entre “a partir” e “apartir” é comum, mas a regra é simples: somente a forma separada está correta. A expressão “a partir” indica sempre um marco inicial ou uma base de referência e nunca deve ser escrita com crase.
Já “apartir”, apesar de aparecer com frequência na fala e até em textos informais, não é aceita pela norma culta e deve ser evitada em qualquer situação formal, especialmente em provas de concursos públicos.
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