Quem foi o primeiro professor de Libras no Brasil?

Confira quem foi o primeiro professor de Libras
Confira quem foi o primeiro professor de Libras

Libras. Todos os anos a comunidade surda comemora o Setembro Azul, um mês que reúne várias datas históricas para suas lutas, vivências e conquistas através do tempo.

Como exemplo, no dia primeiro desse mês é comemorado a regulamentação da profissão de intérprete da Língua Brasileira de Sinais, mais amplamente conhecida como libras.

Já no dia 10 de setembro é o Dia Mundial da Língua de Sinais, uma data emblemática, porque foi nesse mesmo dia que em 1880 foi proibido pela Congresso Mundial de Professores Surdos, que aconteceu em Milão na Itália, o uso dessa língua ao educar pessoas surdas.

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Mas talvez seja o dia 26 de setembro a data mais importante do mês, já que ela é considerada o Dia Nacional do Surdo, feita justamente nesse dia como uma homenagem a fundação da primeira escola para surdos do Brasil.

Essa escola foi fundada por aquele que é reconhecido pela história como o primeiro professor de pessoas surdas no nosso país, responsável por ajudar a difundir essa língua e auxiliar na inserção e educação dessa parcela da população.

Mas, para conhecer mais de quem foi esse homem e como ele influencia a história da libras no nosso país, também é importante conhecer o que é essa língua e qual sua importância.

Libras: Os sinais antes da fala

Se você parar para pensar nas aulas de história que teve na época da escola talvez se lembre do seu professor contando como a milhares de anos atrás, antes mesmo do homem aprender a falar, ele se comunicava através de sinais e desenhos.

Ver os gestos dos outros, suas expressões faciais e a maneira como seu corpo agia era a forma de se comunicar e transmitir suas mensagens.

A medida que as mãos ficavam mais ocupadas manuseando ferramentas os primeiros homens passaram a usar de sons para passar aquilo que precisavam para os outros.

Essa mudança se tornou a regra com o passar do tempo, fazendo com que aqueles que eram incapazes de ouvir ficassem marcados na história como pessoas marginalizadas e até mesmo incompetentes.

Do primeiro professor que chegou ao Brasil até os dias de hoje muitas coisas mudaram. Tanto que hoje existem professores em redes sociais que ensinam sobre língua de sinais.

Ao menos, era assim que grandes potências conhecidas nos livros de história os tratavam, como a Grécia e a Roma. Pessoas surdas passaram a ser vistas como ineducáveis, eram privadas de seus direitos básicos e viviam reclusas em suas casas.

Durante a idade média existia até mesmo a crença, difundida pela Igreja Católica, de que as almas de pessoas que não eram capazes de escutar não seriam imortais, pois eles não tinham a capacidade de pronunciar os sacramentos.

Mas, isso começou a mudar a partir da Idade Moderna, segundo relatos históricos pelas ações do monge beneditino espanhol, Pedro Ponce de León.

Considerado o primeiro professor de pessoas surdas esse monge criou um manual que o permitia ensinar a esses indivíduos a ler, escrever e falar diversos idiomas.

Os professores de surdos pela história

A partir dos ensinamentos e esforços do monge beneditino Pedro, e da forma como ele comprovou ser possível ensinar as pessoas surdas a se comunicarem oralmente, surgiram também outros professores que dedicaram suas vidas aos métodos de ensino a essas pessoas.

Um deles foi John Bulwer, conhecido hoje como um dos primeiros a defender o uso de uma língua de sinais que facilitasse a comunicação entre essas pessoas.

Algum tempo depois surgiu aquele que hoje é chamado de Pai dos Surdos por historiadores, o abade francês Charles-Michel de l’Épée.

Foi ele quem fundou a primeira escola desenvolvida apenas para o ensino e inclusão de pessoas surdas, criada em Paris, na França.

Através dessa escola começaram a se multiplicar o número de instituições e professores pela Europa que se interessavam pelo ensino e pelas ferramentas de comunicação desse grupo da população.

A primeira escola fundada na França foi o que deu o pontapé inicial para que várias outras surgissem, incluindo o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) no Brasil, anos mais tarde

Foi l’Épée que criou aquele que é considerado o primeiro alfabeto de sinais na França, idealizado em 1755 quando fundou sua escola.

Esse foi um importante passo da educação das pessoas surdas, sua inserção na sociedade e também na criação da Língua de Sinais Brasileira, a libras.

Quando a Libras chegou ao Brasil?

A comunicação usando de gestos já existia de alguma forma em solo brasileiro antes mesmo do primeiro professor de surdos chegar ao país, mas foi apenas em 1855 que sua história começou a ficar mais clara.

Isso porque foi nesse ano que D. Pedro II convidou o professor francês Ernest Huet para vir ao país.

Diz a história que o imperador do Brasil possuía um neto que havia nascido surdo, e por isso tinha interesse em trazer para solo brasileiro alguém capacitado para ensinar as pessoas com as mesmas condições de seu familiar.

O professor Huet havia se formado no Instituto Nacional de Surdos de Paris, fazendo com que chegasse ao Brasil já sendo visto como alguém capacitado e influente para realizar o objetivo de D. Pedro II.

Depois de ficar surdo aos doze anos de idade, tendo então dedicado sua vida e formação a educação de pessoas com a mesma característica que ele, o professor Huet notou ao chegar ao Brasil que o número de pessoas surdas era muito maior do que ele imaginava.

Por isso ele apresentou ao líder brasileiro uma proposta para criar uma escola no país focada apenas no ensino e desenvolvimento dessas pessoas.

D. Pedro II aceitou arcar com os custos desse projeto, fazendo assim com que em 1857 fosse oficialmente fundada a Imperial Instituto de Surdos-Mudos, no Rio de Janeiro.

Essa escola funcionava como um internato, onde eram aceitos apenas alunos do sexo masculino.

Nela, Huet trabalhava tanto como educador quanto diretor, usando do método de comunicação total, que visa melhorar e desenvolver o aprendizado das pessoas surdas em todas as áreas da sua vida, não apenas educacional.

Para ensinar aos seus alunos Huet usou da Língua de Sinais Francesa, mas também mesclou a ela gestos que já existiam em solo brasileiro e eram usados pela população surda do país. Foi assim que começou a surgir a Língua Brasileira de Sinais, conhecida hoje como libras.

Ele permaneceu no Brasil até 1861, quando passou a direção do internato para outro professor e se mudou então para o México.

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